MAIZE: se prevé que la producción mundial de maíz
en 2010/11 disminuya a 810 m. de toneladas (811 m.).
La proyección se ha recortado en 4 m. para reflejar la
reducción de las estimaciones para Estados Unidos y
Brasil. El consumo mundial se sigue estimando en
una cifra récord de 840 m. de toneladas, un aumento
interanual de 27 m. La previsión para el consumo
mundial de maíz pienso se ha reducido en 3 m. de
toneladas a 487 m. (470 m.), reflejando recortes para
Estados Unidos y Corea del Sur. En cambio, se ha
incrementado la proyección para el consumo de maíz
para la producción de etanol combustible en Estados
Unidos; la cifra para la demanda industrial mundial se
ha aumentado en 3 m. de toneladas a 228 m. (218
m.). Se espera que las existencias al cierre
disminuyan en un 20%, alcanzando su nivel más bajo
en cuatro años, de 121 m. de toneladas (152 m.). Se
prevé que el comercio total aumente en un 9% en
2010/11 (julio/junio), con un incremento notable de las
importaciones por parte de la UE, China y Rusia.
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Subida de preços ameaça provocar nova crise alimentar (Público - 18/11/2010)
Subida de preços ameaça provocar nova crise alimentar
João Manuel Rocha
a As más notícias vêm agora de outro
lado. A subida de preço dos alimentos
nos últimos meses pode provocar
problemas de abastecimento em 2011
e, a menos que as colheitas aumentem
signifi cativamente no próximo
ano, o mundo deve preparar-se para
tempos difíceis.
O alerta é da FAO, a Organização
das Nações Unidas para a Agricultura
e Alimentação, que ontem divulgou o
seu relatório bianual sobre perspectivas
alimentares. O custo das importações
de comida pode ultrapassar este
ano o bilião (um milhão de milhões)
de dólares, devido ao brusco aumento
de preços face a 2009.
O índice FAO Food Price subiu 34
pontos entre Junho, data da divulgação
do anterior relatório, e Outubro,
quando registava uma média de 197
pontos, apenas 16 abaixo do pico de
2008. A factura alimentar dos países
mais pobres deve subir este ano 11 por
cento, valor estimado em 20 por cento
para países com baixo rendimento
e défi ce alimentar.
O aumento de preços deve-se a diferentes
factores, o mais importante
dos quais foram as más colheitas de
alguns produtores-chave, designadamente
Estados da antiga União Soviética,
o que vai implicar uma redução
de stocks e levar a difi culdades no
abastecimento.
A subida começou por se fazer
sentir no mercado de cereais, mais
acentuadamente no trigo e na cevada,
em Agosto, devido a condições climatéricas
desfavoráveis que levaram a
que as previsões de crescimento de
1,2 por cento na produção, adiantadas
em Junho, dessem lugar a um cenário
de queda de dois por cento.
As estimativas da FAO são de que os
stocks de cereais caiam sete por cento,
com baixa mais acentuada na cevada,
35 por cento, milho, 12 por cento, e
trigo, dez por cento. Só nas reservas
de arroz se espera uma subida, da
ordem dos seis por cento. O enfraquecimento
do dólar ajuda também
a explicar a subida de preços, uma vez
que a maior parte das transacções é
feita nessa moeda.
A FAO espera que as reservas, actualmente
maiores do que na crise de
2007/2008, designadamente de arroz
e farinha de milho, alimentos de primeira
necessidade em muitos países
vulneráveis, permitam enfrentar melhor
o problema, mas isso não a impede
de estar preocupada com o efeito
dos aumentos. A apreensão estende-se
aos próximos anos, devido à previsível
diminuição de reservas. “Tendo em
conta a expectativa de quebra geral de
stocks, a dimensão das colheitas dos
próximos anos será um dado crítico
para a estabilidade”, refere.
A expectativa é de que em resposta
à subida de preços os agricultores alarguem
as áreas de cultivo, o que pode
não apenas fazer face às necessidades
mais imediatas como permitir repor
stocks. Mas os cereais não são as únicas
culturas atraentes para os agricultores
– produtos como a soja, o açúcar e o
algodão registaram também aumentos
de preços –, o que “pode limitar as
plantações a níveis insufi cientes para
aliviar o aperto”, diz a FAO.
Neste quadro, assinala a organização,
os consumidores podem ter
que resignar-se a pagar “preços mais
elevados pelos alimentos
João Manuel Rocha
a As más notícias vêm agora de outro
lado. A subida de preço dos alimentos
nos últimos meses pode provocar
problemas de abastecimento em 2011
e, a menos que as colheitas aumentem
signifi cativamente no próximo
ano, o mundo deve preparar-se para
tempos difíceis.
O alerta é da FAO, a Organização
das Nações Unidas para a Agricultura
e Alimentação, que ontem divulgou o
seu relatório bianual sobre perspectivas
alimentares. O custo das importações
de comida pode ultrapassar este
ano o bilião (um milhão de milhões)
de dólares, devido ao brusco aumento
de preços face a 2009.
O índice FAO Food Price subiu 34
pontos entre Junho, data da divulgação
do anterior relatório, e Outubro,
quando registava uma média de 197
pontos, apenas 16 abaixo do pico de
2008. A factura alimentar dos países
mais pobres deve subir este ano 11 por
cento, valor estimado em 20 por cento
para países com baixo rendimento
e défi ce alimentar.
O aumento de preços deve-se a diferentes
factores, o mais importante
dos quais foram as más colheitas de
alguns produtores-chave, designadamente
Estados da antiga União Soviética,
o que vai implicar uma redução
de stocks e levar a difi culdades no
abastecimento.
A subida começou por se fazer
sentir no mercado de cereais, mais
acentuadamente no trigo e na cevada,
em Agosto, devido a condições climatéricas
desfavoráveis que levaram a
que as previsões de crescimento de
1,2 por cento na produção, adiantadas
em Junho, dessem lugar a um cenário
de queda de dois por cento.
As estimativas da FAO são de que os
stocks de cereais caiam sete por cento,
com baixa mais acentuada na cevada,
35 por cento, milho, 12 por cento, e
trigo, dez por cento. Só nas reservas
de arroz se espera uma subida, da
ordem dos seis por cento. O enfraquecimento
do dólar ajuda também
a explicar a subida de preços, uma vez
que a maior parte das transacções é
feita nessa moeda.
A FAO espera que as reservas, actualmente
maiores do que na crise de
2007/2008, designadamente de arroz
e farinha de milho, alimentos de primeira
necessidade em muitos países
vulneráveis, permitam enfrentar melhor
o problema, mas isso não a impede
de estar preocupada com o efeito
dos aumentos. A apreensão estende-se
aos próximos anos, devido à previsível
diminuição de reservas. “Tendo em
conta a expectativa de quebra geral de
stocks, a dimensão das colheitas dos
próximos anos será um dado crítico
para a estabilidade”, refere.
A expectativa é de que em resposta
à subida de preços os agricultores alarguem
as áreas de cultivo, o que pode
não apenas fazer face às necessidades
mais imediatas como permitir repor
stocks. Mas os cereais não são as únicas
culturas atraentes para os agricultores
– produtos como a soja, o açúcar e o
algodão registaram também aumentos
de preços –, o que “pode limitar as
plantações a níveis insufi cientes para
aliviar o aperto”, diz a FAO.
Neste quadro, assinala a organização,
os consumidores podem ter
que resignar-se a pagar “preços mais
elevados pelos alimentos
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Desequilíbrio entre as moedas e a agricultura
G20 de Séoul : Comment les déséquilibres monétaires et de change fragilisent-ils l’agriculture européenne?
Communiqué de presse
Paris, le 09 Novembre 2010
G20 de Séoul :
Comment les déséquilibres monétaires et de change fragilisent-ils l’agriculture européenne?
Une analyse comparée Etats-Unis/Union-Européenne montre un avantage économique équivalent à « 50 Airbus A380 » en faveur des farmers américains.
Selon momagri©, think-tank plaidant une nouvelle vision de l’agriculture mondiale, la communauté internationale ne prend pas assez en compte l’impact des déséquilibres monétaires et de change sur le secteur agricole.
Pourtant, les taux de change et les taux directeurs définis par les Banques centrales sont devenus, dans des proportions inconnues jusqu’alors et dans le contexte des crises alimentaires, financières et budgétaires, des variables essentielles de la compétitivité agricole. Une comparaison entre l’Europe et les Etats-Unis (1) l’illustre :
- La sous-évaluation du dollar par rapport à l’Euro a constitué ces deux dernières années un soutien, indirect mais effectif, pour l’agriculture américaine : ce soutien est évalué à 17,8 milliards de dollars en 2008 et à 14, 4 milliards de dollars en 2009 ;
- Les taux d’intérêt plus avantageux pratiqués par la Banque centrale américaine (la FED) par rapport à ceux de la BCE se sont traduits par un avantage de 2,9 milliards de dollars en 2008 et 106 millions de dollars en 2009 pour les farmers américains.
Cela représente au total 20,7 milliards de Dollars en 2008 et 14,5 milliards de Dollars en 2009, soit l’équivalent de 6,5% et de 5% de la valeur de la production agricole américaine.
Pour Christian Pèes, Vice-président de momagri©, « ceux qui subissent ces déséquilibres sont soumis à des pressions permanentes qui s’aggravent d’autant dans les périodes de forte volatilité des prix ».
Selon Pierre Pagesse, Président de momagri©, « il est essentiel de prendre en compte ces variables de change et monétaires dès le prochain G20 car les marchés agricoles, devenus plus instables avec la spéculation, sont porteurs d’une nouvelle crise financière et alimentaire. Sans compter que la menace d’une libéralisation sans régulation du commerce agricole international est toujours présente à l’OMC».
------
(1)– Cette analyse, qui porte sur la réalité des soutiens accordés par les Etats à leur agriculture, a été conduite par momagri© dans le cadre de son projet de développement d’une Agence de notation sur l’agriculture et ses enjeux.
Un premier rapport sur les comparaisons Etats-Unis / Union-Européenne sera publié mi-janvier 2011.
Il permettra de mesurer les soutiens directs (budgets des politiques agricoles) et indirects (politiques financières et monétaires, aides alimentaires …) à l’agriculture pratiqués dans les deux principales régions productrices de la planète.
Une nouvelle nomenclature budgétaire internationale facilitant les comparaisons entre les budgets des Etats a été définie à cette occasion.
Les travaux comparatifs de momagri© se poursuivront en 2011 et traiteront ensuite du Brésil, du Canada, de la Chine et de l’Inde et à terme de tous les grands Etats producteurs. Il sera ainsi possible de tirer des enseignements utiles pour les débats économiques et commerciaux, car fondés sur la réalité des politiques publiques.
L’approche de momagri© participe de la nécessité de disposer de normes communes adaptées à la nouvelle réalité économique, qui est précisément le thème du prochain Forum de Davos (26-30 janvier 2011).
(Fonte: MOMAGRI)
Communiqué de presse
Paris, le 09 Novembre 2010
G20 de Séoul :
Comment les déséquilibres monétaires et de change fragilisent-ils l’agriculture européenne?
Une analyse comparée Etats-Unis/Union-Européenne montre un avantage économique équivalent à « 50 Airbus A380 » en faveur des farmers américains.
Selon momagri©, think-tank plaidant une nouvelle vision de l’agriculture mondiale, la communauté internationale ne prend pas assez en compte l’impact des déséquilibres monétaires et de change sur le secteur agricole.
Pourtant, les taux de change et les taux directeurs définis par les Banques centrales sont devenus, dans des proportions inconnues jusqu’alors et dans le contexte des crises alimentaires, financières et budgétaires, des variables essentielles de la compétitivité agricole. Une comparaison entre l’Europe et les Etats-Unis (1) l’illustre :
- La sous-évaluation du dollar par rapport à l’Euro a constitué ces deux dernières années un soutien, indirect mais effectif, pour l’agriculture américaine : ce soutien est évalué à 17,8 milliards de dollars en 2008 et à 14, 4 milliards de dollars en 2009 ;
- Les taux d’intérêt plus avantageux pratiqués par la Banque centrale américaine (la FED) par rapport à ceux de la BCE se sont traduits par un avantage de 2,9 milliards de dollars en 2008 et 106 millions de dollars en 2009 pour les farmers américains.
Cela représente au total 20,7 milliards de Dollars en 2008 et 14,5 milliards de Dollars en 2009, soit l’équivalent de 6,5% et de 5% de la valeur de la production agricole américaine.
Pour Christian Pèes, Vice-président de momagri©, « ceux qui subissent ces déséquilibres sont soumis à des pressions permanentes qui s’aggravent d’autant dans les périodes de forte volatilité des prix ».
Selon Pierre Pagesse, Président de momagri©, « il est essentiel de prendre en compte ces variables de change et monétaires dès le prochain G20 car les marchés agricoles, devenus plus instables avec la spéculation, sont porteurs d’une nouvelle crise financière et alimentaire. Sans compter que la menace d’une libéralisation sans régulation du commerce agricole international est toujours présente à l’OMC».
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(1)– Cette analyse, qui porte sur la réalité des soutiens accordés par les Etats à leur agriculture, a été conduite par momagri© dans le cadre de son projet de développement d’une Agence de notation sur l’agriculture et ses enjeux.
Un premier rapport sur les comparaisons Etats-Unis / Union-Européenne sera publié mi-janvier 2011.
Il permettra de mesurer les soutiens directs (budgets des politiques agricoles) et indirects (politiques financières et monétaires, aides alimentaires …) à l’agriculture pratiqués dans les deux principales régions productrices de la planète.
Une nouvelle nomenclature budgétaire internationale facilitant les comparaisons entre les budgets des Etats a été définie à cette occasion.
Les travaux comparatifs de momagri© se poursuivront en 2011 et traiteront ensuite du Brésil, du Canada, de la Chine et de l’Inde et à terme de tous les grands Etats producteurs. Il sera ainsi possible de tirer des enseignements utiles pour les débats économiques et commerciaux, car fondés sur la réalité des politiques publiques.
L’approche de momagri© participe de la nécessité de disposer de normes communes adaptées à la nouvelle réalité économique, qui est précisément le thème du prochain Forum de Davos (26-30 janvier 2011).
(Fonte: MOMAGRI)
Tensão nos preços
Vives tensions sur les stocks mondiaux de maïs (FranceAgriMer)
Publié le mercredi 10 novembre 2010 - 18h38
Les stocks de maïs sont au plus bas, et le manque de visibilité sur la récolte chinoise masque peut-être une situation encore plus tendue que celle annoncée officiellement, a expliqué FranceAgriMer, mercredi, à l'issue du conseil spécialisé des grandes cultures.
Les stocks de fin de campagne de maïs aux Etats-Unis seraient au plus bas depuis quinze ans, a annoncé le département américain à l'Agriculture, dans son dernier rapport du 9 novembre sur l'offre et la demande mondiale.
Le ratio des stocks par rapport aux utilisations annuelles du pays seraient de 6 % dans ce pays qui assure 38 % de la production mondiale et plus de la moitié des exportations.
« Au plan mondial, les stocks de report seraient également très faibles pour atteindre seulement 15 % des besoins annuels, en dessous du seuil d'alerte de 18 % fixé par la FAO, indique Michel Ferret, chef du service des marchés de FranceAgriMer. L'équilibre reste extrêmement fragile en maïs, d'autant plus que les statistiques officielles américaines misent sur une excellente récolte chinoise de 168 Mt, tandis que certains analystes l'estiment plus volontiers à 155 Mt. »
(Fonte: La France Agricole)
Publié le mercredi 10 novembre 2010 - 18h38
Les stocks de maïs sont au plus bas, et le manque de visibilité sur la récolte chinoise masque peut-être une situation encore plus tendue que celle annoncée officiellement, a expliqué FranceAgriMer, mercredi, à l'issue du conseil spécialisé des grandes cultures.
Les stocks de fin de campagne de maïs aux Etats-Unis seraient au plus bas depuis quinze ans, a annoncé le département américain à l'Agriculture, dans son dernier rapport du 9 novembre sur l'offre et la demande mondiale.
Le ratio des stocks par rapport aux utilisations annuelles du pays seraient de 6 % dans ce pays qui assure 38 % de la production mondiale et plus de la moitié des exportations.
« Au plan mondial, les stocks de report seraient également très faibles pour atteindre seulement 15 % des besoins annuels, en dessous du seuil d'alerte de 18 % fixé par la FAO, indique Michel Ferret, chef du service des marchés de FranceAgriMer. L'équilibre reste extrêmement fragile en maïs, d'autant plus que les statistiques officielles américaines misent sur une excellente récolte chinoise de 168 Mt, tandis que certains analystes l'estiment plus volontiers à 155 Mt. »
(Fonte: La France Agricole)
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
terça-feira, 18 de agosto de 2009
segunda-feira, 30 de março de 2009
domingo, 3 de agosto de 2008
Os porquês da alta dos alimentos
É global a chiadeira contra a alta no preço dos alimentos. No Brasil, por sermos grandes produtores de grãos e carnes, o impacto está sendo menor do que na maioria dos demais países. Mesmo assim, também o consumidor brasileiro está sentindo a diferença dos preços vigentes em 2005/06, comparados aos de 2007/08. E para piorar, análises prospectivas realizadas por organismos nacionais e internacionais indicam que os preços permanecerão altos por muitos anos ainda. Pior, eles jamais recuarão aos valores anteriores, pela simples razão de que os custos para produzi-los cresceram na mesma velocidade dos preços de venda.
Com melhores perspectivas de renda, o produtor rural deverá reagir e disponibilizar mais alimento, embora não possa fazê-lo de imediato, principalmente na produção de carne bovina, de vez que no período de preços baixos, o produtor foi obrigado a sacrificar as vacas que produzem os bezerros, para sobreviver. Sem a vaca não há bezerro e sem bezerros não teremos novilhos para o abate. Simples assim.
Hipocritamente, muitas organizações e indivíduos, mundo afora, se levantaram contra a produção de biocombustíveis, culpando-os pelo aumento no custo dos alimentos, o que é uma falácia. Se bem os biocombustíveis têm lá sua cota de responsabilidade na alta do preço da comida, principalmente o etanol feito de milho e trigo, sua culpa é marginal.
Até o mais humilde cidadão sabe que a causa principal do movimento altista dos alimentos está no desequilíbrio entre a oferta e a demanda e que parte desse desequilíbrio poderia ser creditada ao desestímulo à produção, por causa do baixo preço dos produtos agrícolas dos últimos anos. É importante que se esclareça aos consumidores urbanos que reclamam da alta dos alimentos, que seu preço ainda está baixo. Estudo da LMC International indica que de 1974 até 2001, o preço de alguns produtos estudados (milho, trigo, açúcar e óleos vegetais) caiu, em média, 2% ao ano (54% no período). Se o estudo continuasse, indicaria que os preços continuaram caindo até 2006.
A bem da verdade, se não ocorresse a atual recomposição de preços, haveria falta de alimentos, pela simples razão de que não haveria quem quisesse produzi-los. Portanto, é melhor ter comida mais cara, do que não ter comida alguma. Durante muitos anos o cidadão urbano comeu barato, enquanto o produtor rural empobreceu, se marginalizou. Trabalhou para colher prejuízos. Muitos, além de sacrificar as vacas que geram os bezerros, também venderam as suas terras e migraram para a periferia das cidades, onde constituem mão de obra desqualificada. Mas, pobre por pobre, na cidade se vive melhor. Lá tem até bolsa família.
As causas do desequilíbrio entre a oferta e a demanda de alimentos são muitas, mas a principal delas é o crescimento econômico dos países em desenvolvimento, particularmente do bloco conhecido por BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), o qual responde por quase 50% da população mundial, 20% da área do Planeta e 15% do PIB global. Crescimento da economia significa aumento da demanda, inclusive de alimentos. Estudos indicam que a renda/cápita dos países em desenvolvimento cresceu 7,1% na última década, contra apenas 2,2% dos países desenvolvidos. Outro dado mostra que em 1990, 32% da população global não ingeriam a quantidade de calorias diárias necessárias. Hoje, é de apenas 15%. Nesse período, somente a China incorporou 400 milhões de cidadãos ao mercado de consumo. Esses novos consumidores, somados aos seis milhões que nascem todo o mês, pressionam a demanda e a lei é clara: se a demanda é maior do que a oferta, o preço sobe.
Além do crescimento econômico, que promoveu o aumento da renda/cápita, que promoveu o aumento do consumo, não podemos deixar de acrescentar outros fatores como responsáveis pela escalada dos preços dos alimentos, dentre os quais se destaca o aumento do custo de produção: o petróleo, que fornece o diesel usado no trator que cultiva a terra, no caminhão que traz os insumos e leva a produção e na colhedora que recolhe os grãos do campo, cresceu 350% - apenas nos últimos cinco anos. O minério de ferro, que fornece o aço usado na fabricação das máquinas e dos implementos agrícolas, cresceu 330% no mesmo período. Como produzir sem repassar esses custos ao produto final?
Ademais das causas já citadas, podemos enumerar outras, não menos importantes, nessa guerra de preços:
* Subsídios à produção agrícola dos países ricos, o que desestimula a produção nos países mais pobres,
* Redução da área agrícola, em função do crescimento das áreas urbanas, das áreas de preservação ambiental, das áreas de parques e de rodovias;
* Estoques mundiais de alimentos em queda (nunca estiveram tão baixos);
* Desvalorização do dólar frente a outras moedas (inclusive o Real);
* Especulação financeira dos fundos de investimento com commodities agrícolas (a produção mundial de trigo, milho e soja de 2007 foi vendida, respectivamente, 4.5, 9.4 e 19.6 vezes na Bolsa de Cereais de Chicago);
* Mudanças climáticas provocando estiagens (Austrália e Ucrânia em 2007) e inundações (EUA em 2008).
Pode parecer provocação, mas a alta do preço dos produtos agrícolas foi uma bênção para o Brasil. Nunca o cenário nacional e mundial foi tão favorável ao País, principalmente na produção de alimentos e de bioenergia. Tudo conspira a favor do desenvolvimento econômico e social do Brasil, que tem o que o mundo moderno mais precisa: minérios, alimentos e energia.
O que mais nos diferencia dos concorrentes, é nossa capacidade para produzir mais, muito mais. Nossos produtores estão entre os mais dinâmicos e arrojados do mundo, necessitando, apenas, de ferramentas e de estímulos para avançar. O Brasil tem terra, clima e tecnologia para produzir em regiões tropicais, onde há muita luz e calor, o que favorece a produção de dois ou até três cultivos na mesma terra e no mesmo ano.
Já somos o primeiro produtor mundial de café, açúcar, feijão e suco de laranja; o segundo de soja, carne bovina, tabaco e etanol; o terceiro de milho, frutas e carne de frango e o quarto de carne suína. Mas, apesar de primeiro produtor de apenas quatro produtos agrícolas, o Brasil lidera na exportação de oito: soja, café, açúcar, carne bovina, carne de frango, suco de laranja, tabaco e etanol, e sinaliza com potencial para ir muito além, na eventualidade de o mercado continuar em alta e favorecendo a renda dos produtores.
O setor agro-industrial brasileiro cresce significativamente há décadas, resultado da expansão da área de produção e, principalmente, do aumento da produtividade. Hoje, o setor responde por cerca de 24% do PIB nacional, pela geração de 37% dos empregos e por 36% das exportações totais do País. Em 2000, somavam US$ 20,6 bilhões as exportações do agronegócio nacional, cresceu para US$ 58,4 bilhões em 2007 e promete superar os US$ 70 bilhões em 2008, contribuindo significativamente para a geração de saldos comerciais para o Brasil. Na verdade, as contribuições do agronegócio representaram a totalidade (1994 a 2004 e em 2007) ou a maior parcela (85% em 2005 e 90% em 2006) do superávit da balança comercial brasileira. O superávit de 2007 foi de US$ 42 bilhões e sinaliza para montantes ainda maiores em 2008, quando, se estima, o complexo soja e as carnes, responderão por 80% desse saldo.
Acorda Brasil, esta é a tua hora. “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”.
Autor: Amélio Dall’Agnol
Pesquisador da Embrapa Soja
Fonte: Pesquisador da Embrapa Soja
Economia e Mercado
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Com melhores perspectivas de renda, o produtor rural deverá reagir e disponibilizar mais alimento, embora não possa fazê-lo de imediato, principalmente na produção de carne bovina, de vez que no período de preços baixos, o produtor foi obrigado a sacrificar as vacas que produzem os bezerros, para sobreviver. Sem a vaca não há bezerro e sem bezerros não teremos novilhos para o abate. Simples assim.
Hipocritamente, muitas organizações e indivíduos, mundo afora, se levantaram contra a produção de biocombustíveis, culpando-os pelo aumento no custo dos alimentos, o que é uma falácia. Se bem os biocombustíveis têm lá sua cota de responsabilidade na alta do preço da comida, principalmente o etanol feito de milho e trigo, sua culpa é marginal.
Até o mais humilde cidadão sabe que a causa principal do movimento altista dos alimentos está no desequilíbrio entre a oferta e a demanda e que parte desse desequilíbrio poderia ser creditada ao desestímulo à produção, por causa do baixo preço dos produtos agrícolas dos últimos anos. É importante que se esclareça aos consumidores urbanos que reclamam da alta dos alimentos, que seu preço ainda está baixo. Estudo da LMC International indica que de 1974 até 2001, o preço de alguns produtos estudados (milho, trigo, açúcar e óleos vegetais) caiu, em média, 2% ao ano (54% no período). Se o estudo continuasse, indicaria que os preços continuaram caindo até 2006.
A bem da verdade, se não ocorresse a atual recomposição de preços, haveria falta de alimentos, pela simples razão de que não haveria quem quisesse produzi-los. Portanto, é melhor ter comida mais cara, do que não ter comida alguma. Durante muitos anos o cidadão urbano comeu barato, enquanto o produtor rural empobreceu, se marginalizou. Trabalhou para colher prejuízos. Muitos, além de sacrificar as vacas que geram os bezerros, também venderam as suas terras e migraram para a periferia das cidades, onde constituem mão de obra desqualificada. Mas, pobre por pobre, na cidade se vive melhor. Lá tem até bolsa família.
As causas do desequilíbrio entre a oferta e a demanda de alimentos são muitas, mas a principal delas é o crescimento econômico dos países em desenvolvimento, particularmente do bloco conhecido por BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), o qual responde por quase 50% da população mundial, 20% da área do Planeta e 15% do PIB global. Crescimento da economia significa aumento da demanda, inclusive de alimentos. Estudos indicam que a renda/cápita dos países em desenvolvimento cresceu 7,1% na última década, contra apenas 2,2% dos países desenvolvidos. Outro dado mostra que em 1990, 32% da população global não ingeriam a quantidade de calorias diárias necessárias. Hoje, é de apenas 15%. Nesse período, somente a China incorporou 400 milhões de cidadãos ao mercado de consumo. Esses novos consumidores, somados aos seis milhões que nascem todo o mês, pressionam a demanda e a lei é clara: se a demanda é maior do que a oferta, o preço sobe.
Além do crescimento econômico, que promoveu o aumento da renda/cápita, que promoveu o aumento do consumo, não podemos deixar de acrescentar outros fatores como responsáveis pela escalada dos preços dos alimentos, dentre os quais se destaca o aumento do custo de produção: o petróleo, que fornece o diesel usado no trator que cultiva a terra, no caminhão que traz os insumos e leva a produção e na colhedora que recolhe os grãos do campo, cresceu 350% - apenas nos últimos cinco anos. O minério de ferro, que fornece o aço usado na fabricação das máquinas e dos implementos agrícolas, cresceu 330% no mesmo período. Como produzir sem repassar esses custos ao produto final?
Ademais das causas já citadas, podemos enumerar outras, não menos importantes, nessa guerra de preços:
* Subsídios à produção agrícola dos países ricos, o que desestimula a produção nos países mais pobres,
* Redução da área agrícola, em função do crescimento das áreas urbanas, das áreas de preservação ambiental, das áreas de parques e de rodovias;
* Estoques mundiais de alimentos em queda (nunca estiveram tão baixos);
* Desvalorização do dólar frente a outras moedas (inclusive o Real);
* Especulação financeira dos fundos de investimento com commodities agrícolas (a produção mundial de trigo, milho e soja de 2007 foi vendida, respectivamente, 4.5, 9.4 e 19.6 vezes na Bolsa de Cereais de Chicago);
* Mudanças climáticas provocando estiagens (Austrália e Ucrânia em 2007) e inundações (EUA em 2008).
Pode parecer provocação, mas a alta do preço dos produtos agrícolas foi uma bênção para o Brasil. Nunca o cenário nacional e mundial foi tão favorável ao País, principalmente na produção de alimentos e de bioenergia. Tudo conspira a favor do desenvolvimento econômico e social do Brasil, que tem o que o mundo moderno mais precisa: minérios, alimentos e energia.
O que mais nos diferencia dos concorrentes, é nossa capacidade para produzir mais, muito mais. Nossos produtores estão entre os mais dinâmicos e arrojados do mundo, necessitando, apenas, de ferramentas e de estímulos para avançar. O Brasil tem terra, clima e tecnologia para produzir em regiões tropicais, onde há muita luz e calor, o que favorece a produção de dois ou até três cultivos na mesma terra e no mesmo ano.
Já somos o primeiro produtor mundial de café, açúcar, feijão e suco de laranja; o segundo de soja, carne bovina, tabaco e etanol; o terceiro de milho, frutas e carne de frango e o quarto de carne suína. Mas, apesar de primeiro produtor de apenas quatro produtos agrícolas, o Brasil lidera na exportação de oito: soja, café, açúcar, carne bovina, carne de frango, suco de laranja, tabaco e etanol, e sinaliza com potencial para ir muito além, na eventualidade de o mercado continuar em alta e favorecendo a renda dos produtores.
O setor agro-industrial brasileiro cresce significativamente há décadas, resultado da expansão da área de produção e, principalmente, do aumento da produtividade. Hoje, o setor responde por cerca de 24% do PIB nacional, pela geração de 37% dos empregos e por 36% das exportações totais do País. Em 2000, somavam US$ 20,6 bilhões as exportações do agronegócio nacional, cresceu para US$ 58,4 bilhões em 2007 e promete superar os US$ 70 bilhões em 2008, contribuindo significativamente para a geração de saldos comerciais para o Brasil. Na verdade, as contribuições do agronegócio representaram a totalidade (1994 a 2004 e em 2007) ou a maior parcela (85% em 2005 e 90% em 2006) do superávit da balança comercial brasileira. O superávit de 2007 foi de US$ 42 bilhões e sinaliza para montantes ainda maiores em 2008, quando, se estima, o complexo soja e as carnes, responderão por 80% desse saldo.
Acorda Brasil, esta é a tua hora. “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”.
Autor: Amélio Dall’Agnol
Pesquisador da Embrapa Soja
Fonte: Pesquisador da Embrapa Soja
Economia e Mercado
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segunda-feira, 9 de junho de 2008
Milho atinge novo máximo histórico
O milho bateu um novo recorde, impulsionado pelos receios de que a chuva intensa sentida nos Estados Unidos reduza as colheitas, e com o aumento dos custos com o petróleo e a queda do dólar a levarem os investidores a apostarem em ‘commodities’ como investimento alternativo.
Mafalda Aguilar
O milho para entrega em Julho subiu 20,75 cêntimos, ou 3,2% para os 6,715 dólares o alqueire no mercado electrónico de Chicago, depois de na semana passada ter valorizado 8,6%, o maior ganho semanal das últimas dez semanas. Desde o arranque do ano, o milho já ganhou 47%, a caminho do quarto ano consecutivo de ganhos, com a procura a aumentar por parte dos produtores de biocombustíveis e as reservas do cereal em mínimos de 24 anos.
"As chuvas aumentaram os receios sobre a produção de milho deste ano", disse à Bloomberg Daisuke Yamaguchi, analista de futuros da Yutaka Shoji Co.
"As preocupações sobre as perdas de produção devido ao mau tempo, o aumento dos preços do petróleo e o enfraquecimento do dólar aumentaram a procura especulativa por produtos agrícolas que são fundamentalmente fortes por causa das reduzidas reservas", explicou o mesmo especialista
Mafalda Aguilar
O milho para entrega em Julho subiu 20,75 cêntimos, ou 3,2% para os 6,715 dólares o alqueire no mercado electrónico de Chicago, depois de na semana passada ter valorizado 8,6%, o maior ganho semanal das últimas dez semanas. Desde o arranque do ano, o milho já ganhou 47%, a caminho do quarto ano consecutivo de ganhos, com a procura a aumentar por parte dos produtores de biocombustíveis e as reservas do cereal em mínimos de 24 anos.
"As chuvas aumentaram os receios sobre a produção de milho deste ano", disse à Bloomberg Daisuke Yamaguchi, analista de futuros da Yutaka Shoji Co.
"As preocupações sobre as perdas de produção devido ao mau tempo, o aumento dos preços do petróleo e o enfraquecimento do dólar aumentaram a procura especulativa por produtos agrícolas que são fundamentalmente fortes por causa das reduzidas reservas", explicou o mesmo especialista
segunda-feira, 21 de abril de 2008
quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
Congresso do milho aproxima-se
VI Congresso Nacional do Milho
Hotel Altis – Lisboa
20 e 21 de Fevereiro de 2008
A ANPROMIS vai realizar nos próximos dias 20 e 21 de Fevereiro, o VI Congresso Nacional do Milho, no Hotel Altis em Lisboa (Rua Castilho n.º 11).
Neste evento, que contará com a presença de um notável painel de oradores, serão debatidos os temas que mais preocupam os Produtores Nacionais de Milho e abordados os novos desafios que se colocam a esta fileira.
De entre os assuntos a discutir destacamos, pela sua relevância, os seguintes temas:
O enquadramento do milho e da agricultura de regadio na nova Política Agrícola Europeia
O aumento da eficiência energética nas explorações agrícolas
O milho: matéria prima do futuro
O mercado mundial de cereais e as suas perspectivas futuras
Aproveitamos a ocasião para informar que o programa definitivo do congresso e a respectiva ficha de inscrição ficarão disponíveis neste site logo que possível
Hotel Altis – Lisboa
20 e 21 de Fevereiro de 2008
A ANPROMIS vai realizar nos próximos dias 20 e 21 de Fevereiro, o VI Congresso Nacional do Milho, no Hotel Altis em Lisboa (Rua Castilho n.º 11).
Neste evento, que contará com a presença de um notável painel de oradores, serão debatidos os temas que mais preocupam os Produtores Nacionais de Milho e abordados os novos desafios que se colocam a esta fileira.
De entre os assuntos a discutir destacamos, pela sua relevância, os seguintes temas:
O enquadramento do milho e da agricultura de regadio na nova Política Agrícola Europeia
O aumento da eficiência energética nas explorações agrícolas
O milho: matéria prima do futuro
O mercado mundial de cereais e as suas perspectivas futuras
Aproveitamos a ocasião para informar que o programa definitivo do congresso e a respectiva ficha de inscrição ficarão disponíveis neste site logo que possível
quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
Milho atinge valor mais elevado desde 1996
Mercados 2008-01-09 08:48
Ouro bate recorde e milho atinge valor mais elevado desde 1996 com aumento da procura
O ouro subiu para o valor mais elevado de sempre, enquanto o milho alcançou máximo dos últimos 11 anos, com a subida do petróleo e o enfraquecimento do dólar a aumentarem a procura destas ‘commodities’ como protecção para a inflação.
Mafalda Aguilar
Com o petróleo cada vez mais caro, os países tentam encontrar alternativas para a produção de energia. É o caso dos biocombustíveis que são alimentados a cereais, como o milho e a soja, e estão na primeira linha da resposta energética. O aumento da procura de cereais eleva os preços destes alimentos. O milho atingiu hoje o valor mais elevado desde 1996
Diario Economico
Ouro bate recorde e milho atinge valor mais elevado desde 1996 com aumento da procura
O ouro subiu para o valor mais elevado de sempre, enquanto o milho alcançou máximo dos últimos 11 anos, com a subida do petróleo e o enfraquecimento do dólar a aumentarem a procura destas ‘commodities’ como protecção para a inflação.
Mafalda Aguilar
Com o petróleo cada vez mais caro, os países tentam encontrar alternativas para a produção de energia. É o caso dos biocombustíveis que são alimentados a cereais, como o milho e a soja, e estão na primeira linha da resposta energética. O aumento da procura de cereais eleva os preços destes alimentos. O milho atingiu hoje o valor mais elevado desde 1996
Diario Economico
terça-feira, 18 de dezembro de 2007
Preços de commodities voltam a ter patamares recordes
18/12/2007
Os preços mundiais dos alimentos voltaram a sofrer pressão ontem (17-12), com a entrada em vigor de preços de referência muito mais elevados para os cereais, o que torna quase inevitável que uma segunda onda de inflação de preços nos alimentos atinja as principais economias do mundo. Em Chicago, os preços do trigo e do arroz para entrega em março de 2008 saltaram para um recorde de alta; os preços da soja estão em seu ponto mais alto em 34 anos e os preços do milho se aproximam do seu pico mais elevado em 11 anos.
Os aumentos de preços devem ser transferidos aos consumidores nos próximos meses, o que elevará as pressões inflacionárias e restringirá a capacidade dos bancos centrais para diminuir a desaceleração em suas economias. Uma primeira onda de alta nos preços dos cereais atingiu o mercado de atacado no terceiro trimestre e se espalhou pela cadeia de suprimentos, contribuindo para a alta da inflação.
A alta da inflação nos preços dos alimentos na zona do euro, que chegou a 4,3% em novembro, é um dos motivos para que o índice anualizado de inflação geral da área tenha subido de 2,6% em outubro para 3,1% no mês passado - a taxa mais alta em seis anos. Nos Estados Unidos, a taxa anualizada de inflação, de 4,8%, registrada pelos alimentos em novembro contribuiu para uma alta mais ampla na inflação, que atingiu 4,3%. No Reino Unido, a inflação nos preços dos alimentos já havia atingido índice anualizado de 5,1% em outubro, e os analistas antecipam que os preços mais altos dos alimentos causem elevação da taxa mais ampla de inflação do país em novembro.
Na abertura do pregão, ontem, o novo preço de referência para o contrato de trigo com entrega em março subiu US$ 0,30, para US$ 10,095 por bushel, alta de mais de 7,5% com relação ao contrato de dezembro, que está vencendo, com cotação de US$ 9,39. Essa é a primeira vez que contratos futuros são negociados acima da marca de US$ 10 por bushel.
Os novos preços de referência do milho também estão 5% mais altos do que no contrato anterior. O milho para março de 2008 subiu para US$ 4,4325 por bushel, o nível mais elevado em 11 anos para um contrato de referência. Os preços de referência da soja para entrega em janeiro subiram na sexta-feira para o recorde de US$ 1,9225 por bushel, a cotação mais alta em 34 anos.
Pico:
Bill Lapp, analista da Advanced Economic Solutions, uma consultoria norte-americana, disse que "já vimos aumentos de preços mais rápidos neste ano do que em qualquer momento desde o começo da década de 80, mas o peso completo da alta só atingirá os mercados em 2008".
A alta nos preços das commodities agrícolas resulta da alta demanda, das safras inadequadas e dos baixos estoques de alimentos. As economias emergentes, nas quais a alta da renda está elevando o consumo de laticínios e carne, vêm reforçando a pressão que o setor de biocombustível já vinha gerando.
Clima:
O suprimento de cereais foi inferior ao esperado em diversos países, nesta temporada, devido a perdas causadas pelo clima. Jean Bourlot, diretor de commodities agrícolas no Morgan Stanley de Londres, disse que "os preços altos dos cereais chegaram para ficar". O Departamento da Agricultura dos Estados Unidos previu que os estoques mundiais de milho cairão ao mais baixo nível em 33 anos, o equivalente a apenas 75 semanas de consumo, e os estoques mundiais de trigo despencarão ao seu mais baixo nível em 47 anos, com o equivalente a 9,3 semanas de consumo.
Fonte: Folha de São Paulo
Os preços mundiais dos alimentos voltaram a sofrer pressão ontem (17-12), com a entrada em vigor de preços de referência muito mais elevados para os cereais, o que torna quase inevitável que uma segunda onda de inflação de preços nos alimentos atinja as principais economias do mundo. Em Chicago, os preços do trigo e do arroz para entrega em março de 2008 saltaram para um recorde de alta; os preços da soja estão em seu ponto mais alto em 34 anos e os preços do milho se aproximam do seu pico mais elevado em 11 anos.
Os aumentos de preços devem ser transferidos aos consumidores nos próximos meses, o que elevará as pressões inflacionárias e restringirá a capacidade dos bancos centrais para diminuir a desaceleração em suas economias. Uma primeira onda de alta nos preços dos cereais atingiu o mercado de atacado no terceiro trimestre e se espalhou pela cadeia de suprimentos, contribuindo para a alta da inflação.
A alta da inflação nos preços dos alimentos na zona do euro, que chegou a 4,3% em novembro, é um dos motivos para que o índice anualizado de inflação geral da área tenha subido de 2,6% em outubro para 3,1% no mês passado - a taxa mais alta em seis anos. Nos Estados Unidos, a taxa anualizada de inflação, de 4,8%, registrada pelos alimentos em novembro contribuiu para uma alta mais ampla na inflação, que atingiu 4,3%. No Reino Unido, a inflação nos preços dos alimentos já havia atingido índice anualizado de 5,1% em outubro, e os analistas antecipam que os preços mais altos dos alimentos causem elevação da taxa mais ampla de inflação do país em novembro.
Na abertura do pregão, ontem, o novo preço de referência para o contrato de trigo com entrega em março subiu US$ 0,30, para US$ 10,095 por bushel, alta de mais de 7,5% com relação ao contrato de dezembro, que está vencendo, com cotação de US$ 9,39. Essa é a primeira vez que contratos futuros são negociados acima da marca de US$ 10 por bushel.
Os novos preços de referência do milho também estão 5% mais altos do que no contrato anterior. O milho para março de 2008 subiu para US$ 4,4325 por bushel, o nível mais elevado em 11 anos para um contrato de referência. Os preços de referência da soja para entrega em janeiro subiram na sexta-feira para o recorde de US$ 1,9225 por bushel, a cotação mais alta em 34 anos.
Pico:
Bill Lapp, analista da Advanced Economic Solutions, uma consultoria norte-americana, disse que "já vimos aumentos de preços mais rápidos neste ano do que em qualquer momento desde o começo da década de 80, mas o peso completo da alta só atingirá os mercados em 2008".
A alta nos preços das commodities agrícolas resulta da alta demanda, das safras inadequadas e dos baixos estoques de alimentos. As economias emergentes, nas quais a alta da renda está elevando o consumo de laticínios e carne, vêm reforçando a pressão que o setor de biocombustível já vinha gerando.
Clima:
O suprimento de cereais foi inferior ao esperado em diversos países, nesta temporada, devido a perdas causadas pelo clima. Jean Bourlot, diretor de commodities agrícolas no Morgan Stanley de Londres, disse que "os preços altos dos cereais chegaram para ficar". O Departamento da Agricultura dos Estados Unidos previu que os estoques mundiais de milho cairão ao mais baixo nível em 33 anos, o equivalente a apenas 75 semanas de consumo, e os estoques mundiais de trigo despencarão ao seu mais baixo nível em 47 anos, com o equivalente a 9,3 semanas de consumo.
Fonte: Folha de São Paulo
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
Falta de milho provoca preços recordes
10/12/2007
Falta de milho provoca preços recordes
Os preços do milho no mercado brasileiro romperam a barreira dos R$ 30,00 a saca de 60 kg, ultrapassando as médias históricas. A expressiva alta é reflexo da falta do produto no mercado interno, ocasionada pelo aquecimento da demanda e, principalmente, pelo aumento das exportações.
De janeiro a outubro deste ano, as vendas externas do grão atingiram 8,7 milhões de toneladas, registrando crescimento de cerca de 175%, em comparação ao mesmo período de 2006, segundo dados da Confederação Nacional da Agricultura (CNA). Com isso, o produto já está em falta em estados como São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
“O problema de oferta é sério”, afirma o economista Paulo Roberto Molinari, consultor da Safras & Mercados. Segundo ele, o Brasil consome atualmente cerca de 3,5 milhões de tonelada de milho por mês e o governo tem colocado no mercado, por meio dos leilões da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), cerca de 100 mil toneladas por mês.
A baixa oferta, acredita Paulo Molinari, pode levar a novas altas de preços. “Não chegamos ao limite, porque milho mais caro é aquele que não existe”, diz.
O mais grave, avalia, são os baixos estoques. “Fomos consumindo nosso estoque e praticamente o zeramos com o aumento das exportações”, diz. O governo tem apenas 1,5 milhões de toneladas estocadas e não há estimativas das reservas privadas. “É certo que entraremos 2008 sem estoques de passagem”, completa.
Isso significa que os preços do milho devem permanecer elevados até março do ano que vem, quando a safra de verão começa a entrar no mercado. Paulo Molinari acredita que, a partir de março, os preços se acomodem, mas segundo diz, devem mudar de patamar. “Não vão permanecer tão altos como estão agora, mas vão ser altos”, assegura.
Segundo o consultor, o ano de 2008 não vai ser fácil para quem precisa do milho, porque a demanda externa e interna permanecerá aquecida e poderá haver redução da oferta. Paulo Molinari afirma que os Estados Unidos vão diminuir a área plantada de milho para recuperar seus estoques de soja. Para minimizar o problema no Brasil, ele diz que o País precisará de uma boa safra de verão e de uma supersafrinha.
O prognóstico dos produtores de grãos, entretanto, não é otimista. A safra de verão e principalmente a safrinha, dizem, podem ser comprometidas pela seca prolongada, que atrasou o plantio, e pelas irregularidades das chuvas.
Na semana passada, entidades representativas da indústria de alimentação animal, dos criadores de suínos e de aves e da indústria de carne suína sugeriram a importação de milho transgênico para o abastecimento do mercado interno.
Molinari não acredita na viabilidade dessa medida. Segundo ele, é muito arriscado importar milho transgênico, porque a entrada do produto no País pode ser barrada por decisão judicial.
Fonte: O Popular
Falta de milho provoca preços recordes
Os preços do milho no mercado brasileiro romperam a barreira dos R$ 30,00 a saca de 60 kg, ultrapassando as médias históricas. A expressiva alta é reflexo da falta do produto no mercado interno, ocasionada pelo aquecimento da demanda e, principalmente, pelo aumento das exportações.
De janeiro a outubro deste ano, as vendas externas do grão atingiram 8,7 milhões de toneladas, registrando crescimento de cerca de 175%, em comparação ao mesmo período de 2006, segundo dados da Confederação Nacional da Agricultura (CNA). Com isso, o produto já está em falta em estados como São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
“O problema de oferta é sério”, afirma o economista Paulo Roberto Molinari, consultor da Safras & Mercados. Segundo ele, o Brasil consome atualmente cerca de 3,5 milhões de tonelada de milho por mês e o governo tem colocado no mercado, por meio dos leilões da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), cerca de 100 mil toneladas por mês.
A baixa oferta, acredita Paulo Molinari, pode levar a novas altas de preços. “Não chegamos ao limite, porque milho mais caro é aquele que não existe”, diz.
O mais grave, avalia, são os baixos estoques. “Fomos consumindo nosso estoque e praticamente o zeramos com o aumento das exportações”, diz. O governo tem apenas 1,5 milhões de toneladas estocadas e não há estimativas das reservas privadas. “É certo que entraremos 2008 sem estoques de passagem”, completa.
Isso significa que os preços do milho devem permanecer elevados até março do ano que vem, quando a safra de verão começa a entrar no mercado. Paulo Molinari acredita que, a partir de março, os preços se acomodem, mas segundo diz, devem mudar de patamar. “Não vão permanecer tão altos como estão agora, mas vão ser altos”, assegura.
Segundo o consultor, o ano de 2008 não vai ser fácil para quem precisa do milho, porque a demanda externa e interna permanecerá aquecida e poderá haver redução da oferta. Paulo Molinari afirma que os Estados Unidos vão diminuir a área plantada de milho para recuperar seus estoques de soja. Para minimizar o problema no Brasil, ele diz que o País precisará de uma boa safra de verão e de uma supersafrinha.
O prognóstico dos produtores de grãos, entretanto, não é otimista. A safra de verão e principalmente a safrinha, dizem, podem ser comprometidas pela seca prolongada, que atrasou o plantio, e pelas irregularidades das chuvas.
Na semana passada, entidades representativas da indústria de alimentação animal, dos criadores de suínos e de aves e da indústria de carne suína sugeriram a importação de milho transgênico para o abastecimento do mercado interno.
Molinari não acredita na viabilidade dessa medida. Segundo ele, é muito arriscado importar milho transgênico, porque a entrada do produto no País pode ser barrada por decisão judicial.
Fonte: O Popular
segunda-feira, 3 de dezembro de 2007
Mercado mundial em 2008 só terá milho transgênico
28/11 - 12:33 Mercado mundial em 2008 só terá milho transgênico
Faesc: 27/11/2007 Um dos principais insumos de várias cadeias produtivas, o milho vai escassear, encarecer e inviabilizar muitas atividades do agronegócio brasileiro em 2008 e, o que é pior, o Brasil pode ficar sem ter onde comprar milho para suprir o abastecimento nacional segundo previsões do vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc), Enori Barbieri.(fonte: FAESC)
A seca no Brasil Central atrasou o preparo das lavouras e redução na produção. Para um consumo nacional de 40 milhões de toneladas, a safra principal deve produzir de 35 milhões a 37 milhões de toneladas. Para cobrir o déficit, o Brasil vai contar com a safrinha. Ocorre que, com o atraso no plantio da soja, também haverá atraso e possível redução de produção de milho da safrinha. Por outro lado, o Brasil vai encerrar o ano em situação apertada: produziu 51 milhões de toneladas, consumiu 41 milhões e exportou 10,5 milhões. Tudo isso cria uma expectativa de escassez e de falta de produto em 2008.
A preocupação da Faesc é a seguinte: apenas dois países terão disponibilidade de milho no mercado mundial em 2008 - Argentina e Estados Unidos - e, ambos, com semente transgênica. A legislação brasileira proíbe a importação de transgênicos, o que deixará o país em uma sinuca. Ou muda a lei ou fica sem milho No centro desse problema está Santa Catarina, tradicional importador de milho, que terá um déficit de 1,5 milhão a 2 milhões de toneladas no próximo ano. A Faesc prevê uma produção na safra 2007/2008 de 3,5 milhões a 3,7 milhões de toneladas, com redução de 2% a 3% da área plantada, e uma produtividade média baixa de 60 sacos por hectare. Para cobrir esse déficit, o Estado fará importações do Paraguai, do Paraná e do centro oeste, especialmente Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás. REPERCUSSÃO
Barbieri mostra que a repercussão desse quadro no preço do grão será imediata: o preço do milho será balizado pelo mercado norte-americano e não deve baixar de R$ 22 reais a 23 reais a saca o que representa uma alta de 44% considerando-se que, em 2007, o preço médio foi de R$ 16,00. A escassez está sendo acentuada pela quebra da safra européia em cerca de 10 milhões de toneladas (o continente colherá somente 5 milhões das 15 milhões e toneladas previstas) e do processamento de 50 milhões de toneladas de milho para produção do etanol nos Estados Unidos.
A destinação do milho para fins energéticos criou um novo parâmetro de valoração. Como o milho e a soja viraram produtos possíveis de transformar em etanol e biodíesel, o preço agora acompanha o petróleo que está em alta no mercado internacional. A crise do petróleo também está provocando inflação mundial no segmento alimentício pois induz a transformação de produtos destinados a alimentação em energia. Por outro lado, a crise imobiliária americana tem levado investidores mundiais a abandonar bens imóveis e investir na bolsa de produtos agrícolas, aquecendo ainda mais o mercado de commoditties. No plano interno, Barbieri expõe que a Faesc prevê um cenário de extrema dificuldade para produtores independentes de suínos em 2008 que ficarão restritos ao mercado doméstico e terão altos custos de produção, enquanto as agroindústrias ampliarão sua participação no mercado externo, que remunera melhor. OPÇÃO
O milho deve continuar escasso no mercado internacional porque, em 2008, os Estados Unidos processarão 80 milhões de toneladas de milho para etanol e a tendência é, até 2015, processar 200 milhões. Em 2007 a produção norte-americana foi de 284 milhões de toneladas e, para 2008, a previsão é colher 338 milhões de toneladas de milho, dos quais 50 milhões serão exportados. Enquanto isso, o Brasil colherá 50 milhões de toneladas em 2008. Enori Barbieri mostra que a opção americana pelo etanol NÃO pode ser condenada porque não provocará falta do vegetal no planeta. Explica que do milho extraí-se o etanol, que é combustível, e a glicerina que atualmente é descartada. Entretanto, nova tecnologia em fase final de desenvolvimento vai transformar a glicerina em produto de alto valor protéico que será utilizado na alimentação animal em substituição ao milho. (fonte: FAESC)
Faesc: 27/11/2007 Um dos principais insumos de várias cadeias produtivas, o milho vai escassear, encarecer e inviabilizar muitas atividades do agronegócio brasileiro em 2008 e, o que é pior, o Brasil pode ficar sem ter onde comprar milho para suprir o abastecimento nacional segundo previsões do vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc), Enori Barbieri.(fonte: FAESC)
A seca no Brasil Central atrasou o preparo das lavouras e redução na produção. Para um consumo nacional de 40 milhões de toneladas, a safra principal deve produzir de 35 milhões a 37 milhões de toneladas. Para cobrir o déficit, o Brasil vai contar com a safrinha. Ocorre que, com o atraso no plantio da soja, também haverá atraso e possível redução de produção de milho da safrinha. Por outro lado, o Brasil vai encerrar o ano em situação apertada: produziu 51 milhões de toneladas, consumiu 41 milhões e exportou 10,5 milhões. Tudo isso cria uma expectativa de escassez e de falta de produto em 2008.
A preocupação da Faesc é a seguinte: apenas dois países terão disponibilidade de milho no mercado mundial em 2008 - Argentina e Estados Unidos - e, ambos, com semente transgênica. A legislação brasileira proíbe a importação de transgênicos, o que deixará o país em uma sinuca. Ou muda a lei ou fica sem milho No centro desse problema está Santa Catarina, tradicional importador de milho, que terá um déficit de 1,5 milhão a 2 milhões de toneladas no próximo ano. A Faesc prevê uma produção na safra 2007/2008 de 3,5 milhões a 3,7 milhões de toneladas, com redução de 2% a 3% da área plantada, e uma produtividade média baixa de 60 sacos por hectare. Para cobrir esse déficit, o Estado fará importações do Paraguai, do Paraná e do centro oeste, especialmente Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás. REPERCUSSÃO
Barbieri mostra que a repercussão desse quadro no preço do grão será imediata: o preço do milho será balizado pelo mercado norte-americano e não deve baixar de R$ 22 reais a 23 reais a saca o que representa uma alta de 44% considerando-se que, em 2007, o preço médio foi de R$ 16,00. A escassez está sendo acentuada pela quebra da safra européia em cerca de 10 milhões de toneladas (o continente colherá somente 5 milhões das 15 milhões e toneladas previstas) e do processamento de 50 milhões de toneladas de milho para produção do etanol nos Estados Unidos.
A destinação do milho para fins energéticos criou um novo parâmetro de valoração. Como o milho e a soja viraram produtos possíveis de transformar em etanol e biodíesel, o preço agora acompanha o petróleo que está em alta no mercado internacional. A crise do petróleo também está provocando inflação mundial no segmento alimentício pois induz a transformação de produtos destinados a alimentação em energia. Por outro lado, a crise imobiliária americana tem levado investidores mundiais a abandonar bens imóveis e investir na bolsa de produtos agrícolas, aquecendo ainda mais o mercado de commoditties. No plano interno, Barbieri expõe que a Faesc prevê um cenário de extrema dificuldade para produtores independentes de suínos em 2008 que ficarão restritos ao mercado doméstico e terão altos custos de produção, enquanto as agroindústrias ampliarão sua participação no mercado externo, que remunera melhor. OPÇÃO
O milho deve continuar escasso no mercado internacional porque, em 2008, os Estados Unidos processarão 80 milhões de toneladas de milho para etanol e a tendência é, até 2015, processar 200 milhões. Em 2007 a produção norte-americana foi de 284 milhões de toneladas e, para 2008, a previsão é colher 338 milhões de toneladas de milho, dos quais 50 milhões serão exportados. Enquanto isso, o Brasil colherá 50 milhões de toneladas em 2008. Enori Barbieri mostra que a opção americana pelo etanol NÃO pode ser condenada porque não provocará falta do vegetal no planeta. Explica que do milho extraí-se o etanol, que é combustível, e a glicerina que atualmente é descartada. Entretanto, nova tecnologia em fase final de desenvolvimento vai transformar a glicerina em produto de alto valor protéico que será utilizado na alimentação animal em substituição ao milho. (fonte: FAESC)
quarta-feira, 28 de novembro de 2007
Carta aberta contra a asneira
Carta Aberta contra a Asneira
A propósito das variedades de milho transgénico resistentes à Broca
As variedades de milho geneticamente modificado utilizado em Portugal permitem, a pequenos e grandes agricultores, reduzir os custos de produção entre 10 a 15%, aumentar a produtividade até 25%, evitar o uso de pesticidas, reduzir a emissão de dióxido de carbono por redução do uso de tractor e reduzir 50 a 90% o teor em micotoxinas, substâncias produzidas por fungos e que afectam a saúde de pessoas e animais. Estima-se que a utilização mundial destas variedades, entre 1996 e 2004, permitiu uma redução cumulativa de 172.500 milhões de toneladas de pesticidas e, só em 2005, evitar a emissão de dióxido de carbono correspondente a mais de 4 milhões de carros. Esta é, portanto, uma tecnologia sustentável. Ou não?
Esta pergunta surge na sequência da carta aberta de Aníbal Fernandes e Carlos Pimenta “A propósito dos OGMs” publicada no Expresso de 17-11. Na verdade o texto é descuidado e desinformativo, na suposta justificação de que qualquer meio justifica os fins supostamente benevolentes da exclusão das variedades vegetais transgénicas.
As questões que os autores colocam têm todas como resposta interesses económicos e políticos facilmente identificáveis. E o tema só é controverso porque essa controvérsia tem finalidades bem distintas do bem comum. Contudo, nem a Organização Mundial de Saúde, nem as agências nacionais e internacionais de segurança alimentar referem qualquer prejuízo para os animais e pessoas devido ao consumo de alimentos contendo derivados das variedades transgénicas aprovadas.
Os agricultores não ficam dependentes das variedades transgénicas se não as quiserem utilizar. No caso do milho (a única cultura com variedades transgénicas autorizadas para serem produzidas na Europa), os agricultores que produzem comercialmente compram todos os anos as sementes porque elas são híbridos, mesmo que não sejam geneticamente modificadas. Seria desastroso para eles se guardassem as sementes de um ano para produzir no ano seguinte. Transgénicas ou não. E os agricultores sabem bem disso.
Os agricultores são obrigados a frequentar acções de formação se quiserem produzir variedades transgénicas. Existe em Portugal legislação clara e rigorosa sobre o cultivo, rastreabilidade, rotulagem e fiscalização da produção. Na verdade, durante anos, várias organizações (entre as quais o Centro de Informação de Biotecnologia) têm divulgado e debatido a utilização desta tecnologia. A falta de informação reside apenas para aqueles que não querem aceitar as evidências.
Em Portugal não existe qualquer risco para a biodiversidade no uso de variedades de milho transgénico. Primeiro porque não existem outras plantas com que o milho se cruze e a espécie é tão variável que a cada grão de milho no campo corresponde um tipo genético distinto. Depois porque as variedades tradicionais portuguesas não se encontram nas planícies onde se produz o milho comercial em Portugal, mas sim nas montanhas. Ainda porque as datas de floração das variedades tradicionais são tão distintas das dos híbridos comerciais que não há possibilidade de fecundação entre elas.
Finalmente porque, felizmente, no caso do milho português, ainda existe trabalho, quer no campo, quer no laboratório, que continua a estudar e a valorizar as variedades tradicionais (nomeadamente as utilizadas na produção de broa).
Aníbal Fernandes e Carlos Pimenta demonstram um total desconhecimento da realidade da agricultura Portuguesa, do que é a agro-biodiversidade, do que é o milho e a sua cultura, do que é melhoramento vegetal, do que é sustentabilidade e do que são variedades transgénicas.
As responsabilidades destes autores deveriam obrigá-los a ser mais cuidadosos e a não induzir conclusões precipitadas nos leitores. E a não fazerem generalizações, nem relatos parciais e descontextualizados com a única aparente finalidade de assustar o público. Não existe nenhuma “catástrofe anunciada” devido ao uso das variedades transgénicas vegetais. O seu uso, desde que devidamente cuidado, beneficiará inevitavelmente quer o ambiente, quer a saúde animal e humana.
Na verdade espero que o Ministro da Agricultura (qualquer Ministro da Agricultura) seja capaz de ler o texto escrito por Aníbal Fernandes e Carlos Pimenta e entenda que apenas se pretende com ela comprometer a agricultura e os agricultores portugueses, num país que importa 2/3 do milho que consome (e que vai ter que pagar quase mais 50% por ele devido ao aumento brusco dos preços no mercado mundial), milho esse que é comprado em países que não descriminam as variedades transgénicas das convencionais.
Lisboa, 21 Novembro de 2007
Pedro Fevereiro
(Presidente do Centro de Informação de Biotecnologia
A propósito das variedades de milho transgénico resistentes à Broca
As variedades de milho geneticamente modificado utilizado em Portugal permitem, a pequenos e grandes agricultores, reduzir os custos de produção entre 10 a 15%, aumentar a produtividade até 25%, evitar o uso de pesticidas, reduzir a emissão de dióxido de carbono por redução do uso de tractor e reduzir 50 a 90% o teor em micotoxinas, substâncias produzidas por fungos e que afectam a saúde de pessoas e animais. Estima-se que a utilização mundial destas variedades, entre 1996 e 2004, permitiu uma redução cumulativa de 172.500 milhões de toneladas de pesticidas e, só em 2005, evitar a emissão de dióxido de carbono correspondente a mais de 4 milhões de carros. Esta é, portanto, uma tecnologia sustentável. Ou não?
Esta pergunta surge na sequência da carta aberta de Aníbal Fernandes e Carlos Pimenta “A propósito dos OGMs” publicada no Expresso de 17-11. Na verdade o texto é descuidado e desinformativo, na suposta justificação de que qualquer meio justifica os fins supostamente benevolentes da exclusão das variedades vegetais transgénicas.
As questões que os autores colocam têm todas como resposta interesses económicos e políticos facilmente identificáveis. E o tema só é controverso porque essa controvérsia tem finalidades bem distintas do bem comum. Contudo, nem a Organização Mundial de Saúde, nem as agências nacionais e internacionais de segurança alimentar referem qualquer prejuízo para os animais e pessoas devido ao consumo de alimentos contendo derivados das variedades transgénicas aprovadas.
Os agricultores não ficam dependentes das variedades transgénicas se não as quiserem utilizar. No caso do milho (a única cultura com variedades transgénicas autorizadas para serem produzidas na Europa), os agricultores que produzem comercialmente compram todos os anos as sementes porque elas são híbridos, mesmo que não sejam geneticamente modificadas. Seria desastroso para eles se guardassem as sementes de um ano para produzir no ano seguinte. Transgénicas ou não. E os agricultores sabem bem disso.
Os agricultores são obrigados a frequentar acções de formação se quiserem produzir variedades transgénicas. Existe em Portugal legislação clara e rigorosa sobre o cultivo, rastreabilidade, rotulagem e fiscalização da produção. Na verdade, durante anos, várias organizações (entre as quais o Centro de Informação de Biotecnologia) têm divulgado e debatido a utilização desta tecnologia. A falta de informação reside apenas para aqueles que não querem aceitar as evidências.
Em Portugal não existe qualquer risco para a biodiversidade no uso de variedades de milho transgénico. Primeiro porque não existem outras plantas com que o milho se cruze e a espécie é tão variável que a cada grão de milho no campo corresponde um tipo genético distinto. Depois porque as variedades tradicionais portuguesas não se encontram nas planícies onde se produz o milho comercial em Portugal, mas sim nas montanhas. Ainda porque as datas de floração das variedades tradicionais são tão distintas das dos híbridos comerciais que não há possibilidade de fecundação entre elas.
Finalmente porque, felizmente, no caso do milho português, ainda existe trabalho, quer no campo, quer no laboratório, que continua a estudar e a valorizar as variedades tradicionais (nomeadamente as utilizadas na produção de broa).
Aníbal Fernandes e Carlos Pimenta demonstram um total desconhecimento da realidade da agricultura Portuguesa, do que é a agro-biodiversidade, do que é o milho e a sua cultura, do que é melhoramento vegetal, do que é sustentabilidade e do que são variedades transgénicas.
As responsabilidades destes autores deveriam obrigá-los a ser mais cuidadosos e a não induzir conclusões precipitadas nos leitores. E a não fazerem generalizações, nem relatos parciais e descontextualizados com a única aparente finalidade de assustar o público. Não existe nenhuma “catástrofe anunciada” devido ao uso das variedades transgénicas vegetais. O seu uso, desde que devidamente cuidado, beneficiará inevitavelmente quer o ambiente, quer a saúde animal e humana.
Na verdade espero que o Ministro da Agricultura (qualquer Ministro da Agricultura) seja capaz de ler o texto escrito por Aníbal Fernandes e Carlos Pimenta e entenda que apenas se pretende com ela comprometer a agricultura e os agricultores portugueses, num país que importa 2/3 do milho que consome (e que vai ter que pagar quase mais 50% por ele devido ao aumento brusco dos preços no mercado mundial), milho esse que é comprado em países que não descriminam as variedades transgénicas das convencionais.
Lisboa, 21 Novembro de 2007
Pedro Fevereiro
(Presidente do Centro de Informação de Biotecnologia
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